segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Fazer o mais óbvio e “fácil” nem sempre é o melhor



Há algum tempo sendo exemplo de regularidade, o Vasco passa por seu pior momento no campeonato brasileiro nos últimos dois anos.

E justamente na rodada que se sagrou o clube que mais tempo permaneceu no G4 da competição (48 rodadas consecutivas, somando o campeonato do ano passado e o atual), o Vasco foi goleado pelo Bahia, em São Januário.

A torcida fez o mais do mesmo: elegeu o treinador como o culpado pelos recentes fracassos.
Essa postura compõe um script já bem batido na cultura do futebol brasileiro: o time sofre uma derrota acachapante, a torcida protesta e a diretoria sempre tem como solução mágica a demissão do treinador.

Mas ora, não foi o Cristóvão quem negociou alguns dos principais jogadores do elenco.
Ele é empregado e usa os jogadores que o clube disponibiliza.
Durante a "janela de transferências", o Vasco negociou peças importantes do grupo que Cristóvão utilizava. São eles:

Fagner - titular absoluto há algumas temporadas, com passagens pela Seleção;
Rômulo - promissor volante e também titular;
Diego Souza - apesar de inconstante, foi decisivo em alguns jogos, como Cruzeiro e o próprio Bahia no primeiro turno;
Allan – não era titular absoluto, porém era utilizado frequentemente pelo treinador, e mesmo sendo volante, atuou algumas vezes como lateral-direito.

Nenhum time que perde tantos valores assim pode manter-se no topo. Com o Vasco não foi diferente e a queda já eminente, até demorou.
Não que os jogadores citados sejam craques e/ou resolvam os problemas de qualquer elenco, mas sempre foram úteis e decisivos no sucesso daquele grupo, seja no título da Copa do Brasil ano passado, seja na manutenção do time no topo da principal competição do país.

Após o jogo, o repórter da Rádio Globo, André Marques, indagou o Antônio Peralta, primeiro vice-presidente do clube a respeito de uma pequena reunião entre a diretoria. Dentre outras coisas, o vice-presidente soltou a absurda pérola: "a gente tenta de tudo para acertar, mas não faz gol, né?"
Ou seja, a culpa é deles, jogadores e indiretamente, comissão técnica.
Atitude bastante covarde, porém nada surpreendente.

Aqui no Rio mesmo temos um “ótimo” exemplo dessas ações de desesperadas:
O Flamengo, envolto em suas capitanias hereditárias e crises em menos de 18 meses usou desse expediente duas vezes. Na primeira, escolheu o lado de Ronaldinho Gaúcho e demitiu Vanderlei Luxemburgo. Com seu substituto não foi diferente, devido aos péssimos resultados, demitiu Joel Santana. E parece que com Dorival não será diferente.
Depois de tantas mudanças, qual foi a evolução do time na tabela do campeonato?

Até o momento, o Cristóvão continua como treinador. Não sabemos até quando, mas exemplos não faltam para a diretoria considerar a manutenção da comissão técnica.
Definitivamente, o Vasco não precisa cometer o mesmo erro. Não precisa fazer o mais óbvio e fácil, demitindo o treinador e “jogando pra torcida”.
E se fizer, não pode reclamar do ônus, e ele certamente virá.

Editado em 10/09 às 18:45:

Cristóvão Borges pediu demissão do clube.
É lamentável por conta do trabalho, mas ele sabe o que faz da sua vida profissional.
Cabe ao Vasco ter equilíbrio e coerência na escolha do substituto, mas sem rompantes de amadorismo, muito menos de coleguismo e/ou coorporativismo.
Para o Cristóvão, boa sorte, com ou sem Ricardo Gomes.

1 comentários:

André Marques disse...

Acabou de ser demitido...

10 de setembro de 2012 15:10

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